Sempre que se
fala em excesso de estrangeiros na Liga Portuguesa uma ideia que acaba por
pairar é: porque não os mandamos embora e construímos uma equipa composta
exclusivamente por jogadores portugueses?
Não entrando
nunca no espectro do politicamente correcto – obviamente que o que está aqui em
causa não é a xenofobia segregacionista – por vezes pode soar como uma boa
ideia. Afinal, se todos os jogadores forem portugueses, da formação ou oriundos
de outros clubes nacionais, um clube poupará quer nas suas contratações, quer
na prospecção. E poderá manter mais jogadores com um sentimento de “amor ao
clube” mais acentuado, que se traduzirá em campo. E ainda, quando forem
realizadas transferência, o clube acaba sempre por arrecadar um valor mais
elevado pelo jogador. Mas será que isso faz sentido do ponto de vista
desportivo? Serão mesmo tudo rosas? E serve para um clube de dimensão Europeia
como o Sporting?
Numa primeira
análise um clube como o Sporting parece ser o melhor exemplo de um clube com
capacidade para implementar uma solução deste tipo. Afinal é um clube de grande
relevância europeia e acima de tudo possui aquela que é, reconhecidamente, uma
das melhores Academias formadoras do Mundo – se não mesmo a melhor. Se fosse um
desejo do Sporting, enquanto política do clube, seria feito do dia para a
noite. Mas o que significaria para si enquanto clube competitivo?
Provavelmente
um futuro pouco brilhante.
As soluções
exclusivamente nacionais já foram tentadas noutros pontos do Globo. O exemplo
mais actual é o Atlético de Bilbao que tem nas suas fileiras apenas jogadores
nascidos no País Basco e arredores – uma zona que não sendo uma nação
representa “virtualmente” uma para os seus adeptos.
Num país rico,
o objectivo de um clube respeitável é conseguir obter e manter os bons
jogadores por um período prolongado de tempo para lhe trazer sucesso
desportivo. E sucesso desportivo, num clube com dimensão similar à do Sporting
no seu próprio país, consiste em lutar pelo título e lutar por uma prova
europeia.
Portugal não é
um país rico –surpresa! – e como se pode calcular é extremamente difícil manter
um craque por um período prolongado de tempo. Algumas notícias lançadas aqui e
ali apontam para que o ordenado máximo dos melhores jogadores a actuar em
Portugal ronde 1 milhão de euros por ano, cerca de 100 mil euros por mês. Ora,
100 mil euros por mês, é um “ordenadão”… mas em países como Inglaterra este
valor é oferecido por semana! Penso que é bastante consensual que os melhores
jogadores a actuar em Portugal estão claramente acima dos jogadores médios de
Inglaterra, os tais que efectivamente ganham 100 mil por mês (não é pois uma
surpresa que nunca se ouça falar de um jogador da Premier League que seja
contratado por um clube português). Quando um craque português sai de um clube
é necessário suprir rapidamente essa perda com alguém de igual qualidade.
Para além
disso, há que ter em conta outro factor altamente prejudicial da hipotética
falta de estrangeiros num Liga Portuguesa: a falta de visibilidade. Um
campeonato disputado exclusivamente por portugueses seria muito interessante…
para os portugueses. Isso mesmo, Portugal, um país de 11 milhões de pessoas
pararia aos fins-de-semana para ver os seus filhos jogar. O resto do Mundo
estaria a ver a Premier League. Patrocinadores incluídos. De onde viria o
dinheiro então? Da Associação de Pais? Um clube de um campeonato com pouca
visibilidade como o nosso tem que ter forçosamente jogadores estrangeiros para,
no mínimo, uns largos milhares de estrangeiros também o queira ver. E ao
vê-los, vêem também os nossos. E depois querem contratá-los! E quando os vêem
no Manchester United ficam curiosos por saber de onde eles vieram. E procuram o
seu antigo clube. E é o Sporting! Mais audiências para ver novos craques. Mais
dinheiro para os contratar!
Os jogadores
estrangeiros acabam por pesar em diversos factores. Eles trazem visibilidade ao
campeonato.
E potencial comercial? Muito…dependendo de onde vêm.
No início desta época o Sporting contratou um jogador Indiano para potenciar a marca nesse país. Tirando a maneira completamente catastrófica como foi executado o negócio, a ideia era boa. Um país com um enorme número de população, um gosto crescente pelo futebol mas uma selecção de relevância reduzida pára todos os sábados para ver a sua estrela nacional brilhar no Sporting. Não tarda há milhares (milhões!) de indianos de camisolas do leão ao peito. Mais tarde há um amigável com a melhor equipa local. Depois uma digressão. Entra muito dinheiro. Um clube agiganta-se!
E potencial comercial? Muito…dependendo de onde vêm.
No início desta época o Sporting contratou um jogador Indiano para potenciar a marca nesse país. Tirando a maneira completamente catastrófica como foi executado o negócio, a ideia era boa. Um país com um enorme número de população, um gosto crescente pelo futebol mas uma selecção de relevância reduzida pára todos os sábados para ver a sua estrela nacional brilhar no Sporting. Não tarda há milhares (milhões!) de indianos de camisolas do leão ao peito. Mais tarde há um amigável com a melhor equipa local. Depois uma digressão. Entra muito dinheiro. Um clube agiganta-se!
Potencial desportivo?
Ora, também, claro que sim.
A perceber, um clube como o Sporting pode e deve ter a sua própria metodologia de treino. E isso pode e deve incluir um ou mais sistemas tácticos. E os jogadores podem e devem ter os seus papéis definidos nesses sistemas. Isso faz com que cresçam como jogadores. Mas a entrada de um jogador que não está familiarizado com a metodologia, apesar de poder trazer problemas de adaptação, pode também trazer um certo elemento de novidade, criatividade e alternância ao jogo. Uma mudança fruto das características do futebol de onde esse individuo é oriundo! Brasil, irreverência. Argentina, criatividade. Itália, poderio defensivo. Inglaterra, poderio físico. O convívio com outras culturas permite também aos jogadores desenvolverem a sua própria mentalidade e estilos de jogo.
A perceber, um clube como o Sporting pode e deve ter a sua própria metodologia de treino. E isso pode e deve incluir um ou mais sistemas tácticos. E os jogadores podem e devem ter os seus papéis definidos nesses sistemas. Isso faz com que cresçam como jogadores. Mas a entrada de um jogador que não está familiarizado com a metodologia, apesar de poder trazer problemas de adaptação, pode também trazer um certo elemento de novidade, criatividade e alternância ao jogo. Uma mudança fruto das características do futebol de onde esse individuo é oriundo! Brasil, irreverência. Argentina, criatividade. Itália, poderio defensivo. Inglaterra, poderio físico. O convívio com outras culturas permite também aos jogadores desenvolverem a sua própria mentalidade e estilos de jogo.
O problema do
excesso de estrangeiros no campeonato português, não é um problema de
estrangeiros. É um problema de excesso. E de alguma qualidade duvidosa. Existe
uma ideia generalizada que fica mais barato investir num jogador da 3ª Divisão
dum país sul-americano do que num jogador nacional. A isto chama-se falta de
visão a longo prazo. Se uma equipa aposta no desenvolvimento próprio de
jogadores, acompanha o seu crescimento. Sabe como eles são e sabe o que eles
valem. Poupa dinheiro na sua equipa que pode utilizar para trazer um jogador da
2ª Divisão do mesmo país com créditos firmados. Um jogador que ajude os seus
pares a brilhar. E a equipa a sobressair. E o dinheiro a entrar.
Ninguém quer
ver uma equipa exclusivamente portuguesa. Mas ninguém devia ser obrigado a ver
uma equipa com só UM português. Perde-se a ligação ao seu clube, à sua história, ao que ele
significa. A resposta à pergunta “Só portugueses numa equipa?” parece estar no
sítio onde todas as boas respostas estão neste mundo: no meio-termo.
“Faz sentido uma equipa de um país ter uma clara maioria de bons
jogadores nacionais para manter a sua identidade e nacionalidade, mas deverá
contar sempre nas suas fileiras com jogadores estrangeiros que façam a diferença
em termos desportivos, financeiros e sociais.”
Curiosamente, uma opinião que o novo Presidente do Sporting partilha no
seu programa eleitoral.
E tu, o que achas? Deixa a tua opinião.



Excelente, Carlos! Subscrevo inteiramente, não mudo uma vírgula do que escreveste aqui. Esperemos que seja o primeiro de muitos posts teus aqui no blog :)
É algo que tem acontecido indiretamente no clube, passámos do clube entre os 3 grandes e mesmo comparativamente a alguns clubes da primeira liga, com maior percentagem de jogadores portugueses e FORMADOS no Sporting, para um clube que compra um plantel inteiro de estrangeiros deixando um pouco a imagem de marca (a formação) de parte. Veremos agora, com Bruno de Carvalho a puxar os cordões, qual a política utilizada para profissionais no clube. Obviamente que tem sempre de existir um equilíbrio, como referiste a nível financeiro, desportivo e social, como por exemplo a questão do marketing e, obviamente quando se fala de qualidade pouco interessa de onde é oriundo o jogador... Mais uma vez bem vindo, grande post.
Naturalmente defendo a ideia de termos mais jogadores portugueses no plantel, porém, não é qualquer um, e para além disto, acho que ao nível a que o Futebol Mundial se encontra, não é possível (se quisermos lutar pelo título) construir uma equipa só de portugueses.
Cada vez mais o Futebol Mundial, neste caso o Português depende muito de jogadores estrangeiros, mas o que é verdade é que muitos dos jogadores portugueses formados não têm qualidade para integrar uma equipa que queira lutar pelo título contra outras equipas recheadas de grandes talentos estrangeiros...
Por isso, concordo totalmente com o que disseste.
Parabéns pelo post, muito bom.
Grande texto, está mt bom e concordo com tudo.
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