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| Sporting 2012/2013, 4-3-3 com um trinco. |
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| Sporting 2012/2013, 4-3-3 com duplo-pivô defensivo. |
O 4-3-3 (nas suas variadas formas) e o 4-4-2 (idem) são
actualmente as formações mais comuns no futebol europeu, com uma menção honrosa
para as variantes que usam 3 defesas. São as ditas, formações modernas. Mas,
existir uma denominação de “formação moderna” implica que já tenham existido “formações
antigas”. Afinal, o jogo não foi sempre jogado como nos dias de hoje. Qual era
o aspecto deste futebol primitivo? E em que diferia do actual? Porque é que
diferia? Caros adeptos leoninos, hoje vai falar-se de História do futebol.
O futebol moderno, ou seja, o futebol que tem um conjunto de
regras definidas e mais ou menos estáveis e que é considerado actualmente o
desporto-rei no Mundo, nasceu no final do século XIX na Grã-Bretanha. Mas
desengane-se quem pensa que foi uma invenção espontânea. Nada disso, o futebol
nasceu a partir do râguebi. Hoje em dia, parecem desportos completamente
diferentes, mas se pensarmos um bocado conseguimos perceber que o seu propósito
é semelhante: um conjunto de pessoas tenta levar um objecto até um ponto no
campo oposto ao que ocupa. Hoje, as semelhanças ficam-se por aí, há 120 anos,
nem por isso.
Na versão mais primordial do jogo a ideia era levar um esférico
até uma baliza, defendida por uma pessoa. Para isso, um jogador corria com a
bola nos pés contra o terreno adversário, enquanto os outros elementos na sua
equipa o seguiam em linha (dando-lhe cobertura) para o caso dele perder a bola.
O passe era uma coisa que a eles, não assistia. O jogo, no início dos anos
1860´s era largamente à base do drible. Passar era simplesmente considerado pouco
másculo e era evitado.
A ausência do passe era também um reflexo das primeiras regras
negociadas e aceites, por volta de 1863. Com efeito, a avó da regra do
fora-de-jogo, chamada na altura Lei Seis, dizia que “Quando é efectuado um
passe, nenhum jogador da mesma equipa pode estar mais próximo da baliza do que
o próprio jogador que passou, estando impedido de tocar na bola ou afectar o
jogo”, ou por outras palavras, os passes apenas poderiam ser feitos para trás e
para os lados (note-se, incrivelmente similar ao estilo de jogo do râguebi onde
também é apenas permitido o passe para trás). Daqui se pode deduzir que a
melhor maneira para ganhar um jogo era ter muitos avançados e pouquíssimos
defesas.
Aquilo que era necessário para revolucionar o jogo e na verdade,
o passo gigante para a proliferação do passe como um modo de jogo legítimo era
uma alteração à regra do fora-de-jogo. E essa veio em 1863: liberalizava o
passe para qualquer lado, desde que entre o jogador que recebia a bola e a
baliza existissem 3 jogadores, ou seja, o guarda-redes e mais 2.(Note-se, mais
um jogador do que actualmente.)
Isto é muito importante, porque a partir do momento em que
se pode passar livremente para a frente, não faz mais sentido os jogadores
correrem em linha e jogar sem defesas, já que bastaria uma “moderna”
desmarcação de um jogador mais rápido para receber uma bola lançada na frente e
haveria logo perigo imediato. Assim, surgem as primeiras formações geralmente
usadas: o 2-2-6 e o 1-2-7. Na altura não havia designação de formações, pelo
que esta terminologia usada é moderna.
É de notar que, apesar do passe para a frente ser agora mais
liberal, a mentalidade Inglesa continuava fortemente inclinada para o drible individual
com passes ocasionais em último recurso – a ideia era que um jogo deveria ser
ganho à custa da supremacia física e não do intelecto táctico. Esta ideia foi
derrotada apenas aquando do primeiro jogo internacional de sempre: Escócia
contra Inglaterra, em 1872. Inglaterra era largamente favorita, com todos os
seus jogadores a serem muito mais portentosos do que os franzinos Escoceses,
esperava-se uma goleada épica. A verdade é que a Escócia adoptou um esquema
2-2-6 (contra o 1-2-7 inglês) que assentou fortemente na desmarcação e passe ao
primeiro cenário de perigo, circundando efectivamente os seus adversários e
impedindo a supremacia física. O jogo terminou num empate a zero, mas as repercussões
foram gigantescas, passando os Ingleses a perceber a genialidade do passe e de
como isso poderia revolucionar o jogo.
Este impacto foi tão profundo que, a partir do final da
década de 1870’ praticamente todas as equipas que aspiravam a ganhar alguma
coisa (e não havia assim muito para ganhar na altura) assentavam o seu jogo em
passes sucessivos e desmarcações para receber e jogar a bola. Isto acabou por
levar a uma conclusão drástica: havia avançados a mais na frente! Mais
notavelmente, havia demasiados avançados no centro para um jogo de passe. Assim
nasce aquela que é geralmente aceite como a primeira grande formação do futebol
moderno (após o estabelecimento do jogo de passe): o 2-3-5.
O que aconteceu no 2-3-5 foi que um dos avançados-centro
desceu para se juntar aos dois médios. A sua função passou a ser fulcral num
jogo de futebol no final do século XIX – estava criado o primeiro organizador
de jogo e o primeiro “box-to-box”. Era o centro da equipa e por muitos
considerado o homem mais importante em campo. A sua função era ajudar na defesa
e ajudar no ataque, criar oportunidades para os avançados, aparecer na frente
para marcar também. Era o pêndulo da equipa.
A proliferação do futebol ao resto do mundo deu-se
a partir daqui, o momento em que ficou definitivamente separado do râguebi e se
tornou num jogo de passe. A formação 2-3-5 imediatamente tornou-se o símbolo do
futebol e com ele espalhou-se por toda a Europa e América do Sul. O sucesso
desta formação foi tal que permaneceu virtualmente inalterada até 1925, onde
uma pequena alteração nas regras do jogo a tornaram obsoleta. Sim, foi mais uma
alteração à regra do fora-de-jogo.
NOTA: este é o primeiro de um conjunto de artigos que falará
de algumas curiosidades do futebol. No próximo volume será abordado mais um
período temporal e o surgimento da W-M. Fiquem atentos.
Antologia Táctica: Volume II - O Nascimento da WM AQUI
Antologia Táctica: Volume III - O 4-2-4 AQUI






muito bom, continuem!
Muito bom mesmo!!!
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