11 de Abril de 2013 ficará, provavelmente, para a História
como o dia onde uma grande inovação chega (finalmente) ao futebol.
Passados mais de 100 anos desde a sua invenção, é aprovada
pela Premier League a introdução de uma Tecnologia de Linha de Golo conhecida
como o “Hawk Eye”, ou Olho de Falcão. O Hawk Eye será usado a partir da próxima
época na competição maior do futebol Inglês para responder a uma pergunta muito
simples: foi realmente golo!?
Apesar de parecer uma pergunta facílima de responder em 99%
dos casos, há sempre aquele 1% deles em que a bola entra e não é marcado golo,
ou não entra e alguma equipa tem um bónus no marcador. E isso é sempre grave,
muito grave.
Os casos sucederam-se ao longo dos anos. Talvez o mais
famoso, o “pai de todos os casos”, seja o golo de Inglaterra frente à República
Federal da Alemanha na Final do Mundial de Futebol em 1966, que lançou equipa
britânica para a frente no tempo extra e viria a culminar com a vitória nesse
torneio. No entanto, ainda recentemente, ficou famoso o caso do golo-fantasma
de Lampard também à Alemanha, agora em 2010. Este foi invalidado e desta feita
saiu a Alemanha vencedora no final, por 4-1. O golo de Lampard teria empatado a
partida a 2-2 aos 38 minutos.
Não são casos únicos, longe disso. Todas as épocas, em
praticamente todas as Ligas do Mundo, há casos de golos-fantasma que, para além
de serem motivo de angústia e discussão, invariavelmente definem os resultados.
Umas vezes injustamente, mas sempre ilegalmente.
Ao fim de tanto tempo, foi finalmente impossível continuar a
negar a existência do elefante branco no quarto. A Premier League agiu. E será
introduzido, ainda que experimentalmente, o Hawk-Eye.
Então, como funciona o Hawk-Eye? O que pode trazer ao jogo?
A Tecnologia Hawk-Eye
O Hawk-Eye é uma tecnologia que já é aplicada em vários desportos.
Há quase 8 anos que é usado no ténis e no cricket e com excelentes resultados.
É uma tecnologia de Câmaras de Vídeo. Num estádio de futebol são colocadas catorze
câmaras, sete por baliza em cada meio-campo. A função destas câmaras é seguir a
bola sempre que esta se encontre no seu respectivo meio-campo e conseguem
distinguir o que é a bola numa imagem e aquilo que definitivamente não o é.
Em cada instante, através de um método conhecido como
Triangulação, as imagens de várias dessas câmaras localizam com a precisão de milímetros
a posição em 3D da bola (ou seja, as coordenadas de comprimento, largura e
altura da bola). Isto permite saber exactamente onde esta está, mesmo que se
encontre visível em apenas duas das sete câmaras que a seguem.
Adicionalmente, estes aparelhos permitem também localizar a bola, mesmo que esta esteja oclusa na imagem. Quando a bola ultrapassa a linha de golo, é enviado um sinal instantâneo ao relógio de pulso dos árbitros indicando que efectivamente foi marcado. O sistema não erra. Não houve nunca, em qualquer teste do sistema, um caso onde houvesse qualquer problema a detectar se tinha sido golo ou não. Funciona sem qualquer alteração aos postes ou às bolas, ao contrário de alguns concorrentes. O Hawk-Eye não é sequer afectado pela eventualidade da linha de golo estar mal pintada ou até dos postes não estarem perfeitamente verticais (isso mesmo, já não vale a pena tentar ludibriar os olhos das pessoas).
Conclusão
O assunto das tecnologias no futebol é um não-assunto. As tecnologias
só são polémicas para quem tem interesse em que sejam polémicas. A manutenção
do estado actual só leva a que se mantenha a dúvida permanente na verdade
desportiva. E isso é o pior que pode acontecer a um desporto, especialmente um
que move milhões (alguns dirigentes desportivos podem discordar aqui…).
Numa atitude sem precedentes, a Premier League deu um passo
de gigante no rumo a um desporto melhor. Isto é particularmente marcante vindo
de um país que sempre teve um forte sentido tradicionalista e conservador em
relação ao futebol. Mas no fundo é um passo que tinha que ser dado, pois era
insustentável a situação actual.
O Hawk-Eye, espera-se, trará ao futebol uma lufada de ar
fresco. O reconhecimento que, se existem ferramentas para corrigir um defeito,
devem ser usadas, para benefício de todos. Com a utilização na Premier League
tem também o melhor palco possível para se mostrar. Com o sucesso que se espera
desta medida, é mais do que natural que se alastre ao resto do Mundo.
Certamente que haverá gente que deseja com todo o ardor que falhe
miseravelmente, mas mesmo que isso venha a acontecer - o que é quase impossível
– este é um empurrão que põe em movimento um carro que não pára mais: as tecnologias
da verdade!
Estima-se que o custo ronde as 250.000 libras por estádio,
custo esse que a Premier League financiará aos clubes que a disputem. Até pode
parecer muito, mas francamente, num negócio que move milhões e onde o custo de
um golo (mal ou não) anulado pode significar ficar de fora de uma competição
que pague vários orçamentos, sai incrivelmente mais barato do que continuar a
insistir no erro humano só porque sim.
E tu, o que achas da introdução do Hawk-Eye? E para Portugal? Deixa a tua opinião.
Mais informações sobre o Hawk-Eye, no seu site oficial.
Nota: o tema das Tecnologias no Futebol voltará a ser discutido no futuro aqui no blogue.





Penso que a introdução desta nova tecnologia pode vir a ser positiva, porém, como tudo, as máquinas também são falíveis, pelo que também se podem enganar, porém, neste caso, é menos provável de se enganarem do que propriamente um árbitro que esteja a visionar a situação... por isso acho bem.
Quero ainda sublinhar a tua capacidade de expores o assunto que é tratado, é um tema bastante actual e interessante... força nisso, continua, tens todo o nosso apoio!
Excelente post sem margem para dúvidas! Adoraria ver esta tecnologia implementada em Portugal, mas será que a Liga de Clubes suportaria os custos da instalação desta tecnologia? Não me parece...
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