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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Opinião: O futuro do Sporting - A aposta exclusiva na formação e no mercado português são uma realidade cada vez mais próxima!



Já todos nós sabemos as dificuldades financeiras e desportivas que o nosso clube atravessa. E todos os sportinguistas já sabem que os próximos anos serão de grande aposta na formação e no mercado interno, mas quando e como o fazer? Não basta apenas comprar no campeonato português e pôr uns jovens a treinar na academia! Há que o fazer com qualidade...

Dando um exemplo. Nas últimas duas décadas o FC Porto arrecadou mais de 100 milhões de euros com as vendas de Pepe, Maniche, Nuno Valente, Derlei, Deco e Paulo Ferreira e muitos outros nomes. E o que têm estes jogadores em comum? Foram todos adquiridos no mercado português, valorizaram-se no clube portista e saíram por valores astronómicos!

Nos últimos anos, o Sporting tem posto de parte o mercado interno português, investindo fortemente no estrangeiro. Esta temporada, entrou na equipa principal Joãozinho, proveniente por empréstimo do Beira-Mar. Talvez não seja ainda um defesa de topo, mas tem cumprido com a obrigação, e o Sporting deverá optar por comprar o passe do jovem português. Chegou ainda a Alvalade  Miguel Lopes, proveniente do FC Porto e envolvido no negócio de Izmailov. Já assumiu a titularidade em vários jogos e é uma boa opção para a equipa de Jesualdo. Quanto a Ventura, que chegou por empréstimo, foi um dos piores negócios feitos por Godinho Lopes. Caso o Sporting quisesse o guarda-redes, poderia ter ficado com ele no final da época, visto que termina contrato com o FC Porto, mas nestes moldes, se Ventura ficar no Sporting, o clube verde e branco terá que pagar o valor estipulado ao clube portista.

E além disso, está comprovado que investir no mercado interno acarreta menores riscos, pois o jogador já está habituado ao ambiente do campeonato português, e, são transferências que envolvem sempre  valores mais baixos, quer na compra do jogador quer até no salário do mesmo. Além disso, envolver no negócio jogadores «indesejados», pode ser uma maneira do clube se livrar dos excedentários e poupar mais alguns trocos.

É importante o Sporting voltar a estar atento ao mercado nacional. Muitas das vezes, no estrangeiro compra-se caro e mal, por isso não vale a pena o risco... Além disso não podemos pensar que a Academia vai formar bons jogadores para todas as posições todas as épocas. Há que procurar novas opções, novos caminhos, e os clubes portugueses estão recheados de talento por explorar.

Quanto à formação, está provado que a Academia de Alcochete dá frutos. Já colhemos proveitos no passado, estamos a colher benefícios no presente e iremos colher ainda mais no futuro! Os jovens valores que têm sido formados pelo Sporting já estão a dar provas na equipa principal, orientada por Jesualdo Ferreira. Este é o caminho, mas não pode ser feito de qualquer maneira. Há vários anos que o Benfica ultrapassou o Sporting no orçamento que dispõe para a formação, e isso já se está a refletir, pois há bastantes jovens talentosos que nos têm fugido, e acabam por ir parar ao Seixal. Como estamos em altura de crise, é impossível despender mais dinheiro para gastar com a Academia, por isso, há que encontrar novas alternativas para formar mais e melhor.
O sucesso de formar bons jogadores, passa por uma boa rede de scouting, não só em Portugal, mas também espalhada por todos os cantos do mundo. E aí, os núcleos e filiais do Sporting podem ter um papel extremamente importante.

Uma medida importante na afirmação da formação do Sporting, seria a reorganização das Escolas de Futebol Sporting espalhadas por todo o país. Não faz sentido abrir escolas em tudo quanto é sitio só porque se quer! Há que escolher ao pormenor os melhores locais para instalar um centro de formação. Há que economizar, racionalizar e investir melhor.

É extremamente importante dar atenção aos contratos que damos aos nossos jovens. Casos como o de Adrien Silva ou o de Rafael Veloso não podem voltar a acontecer! Estas situações têm que ser resolvidas com a maior antecedência possível, e há que blindar as nossas pérolas com boas cláusulas de rescisão, de modo a afastar os grandes tubarões europeus.

Este tema será continuado num artigo de opinião futuro.
Anónimo disse...

O Quaresma não foi adquirido ao mercado português, foi adquirido ao Inter. De resto, grande post. Concordo em absoluto.
Grande abraç, SL


Nuno Nogueira