Há umas semanas atrás tive oportunidade de escrever um
artigo onde dava a conhecer a minha opinião sobre os negócios entre os grandes
clubes de futebol (pode consultá-lo AQUI). É na verdade um tema infeliz para o
nosso Sporting. É inegável que o clube tem sido seriamente prejudicado com este
tipo de negócios que, curiosamente, costumam ter um denominador comum: o nosso
rival do Norte e actual campeão Nacional, F.C. Porto.
Há certamente uma certa polémica em relação a este tipo de
negócios. Há certamente pontos favoráveis à realização dos mesmos. Mas isso é
verdade para quase tudo. Se não tiverem paciência para ler o anterior artigo,
eu resumo: sou totalmente contra este tipo de negócios entre, pelo menos, grandes
clubes ou clubes rivais (ou ambos, o que é pior).
Alguns dirão que estes negócios podem beneficiar todos os
intervenientes… alguns vão até mais longe ao ponto de dizer que são
recomendáveis e saudáveis! Na minha opinião, temos que nos deixar de tretas. Se
os clubes são rivais dentro de campo certamente querem o melhor para o seu
clube em detrimento do seu rival. Afinal, o que poderia interessar a um clube
num negócio que deixasse o seu rival melhor do que este?
Mas, se houvesse dúvidas em relação à validade destes
argumentos, eis que, em jeito de bofetada de luva branca, se consuma finalmente
e negócio que todos os adeptos mais realistas sempre esperaram e os mais
optimistas sempre temeram: João Moutinho, antiga pérola e capitão leonino, é
finalmente vendido… e o resultado é vergonhoso.
O Verão de 2010 é certamente um que está bem presente na
memória dos adeptos leoninos. O início de uma nova época veria partir o capitão
da equipa de futebol sénior para outro clube… um rival e a um preço
desapontante. Há quem diga que aquele foi o início do período de saldos
Sportinguistas que infelizmente se arrasta até hoje. Os que tiverem a memória
mais fresca certamente que se lembrarão que a grande crise que o clube
atravessa tem, provavelmente, início por volta desse ano. Foi a época de
Caicedo, Pongolle, Angulo ou Grimi, entre outros. Mas, mesmo com contratações
desapontantes, a saída do capitão para um rival foi um dos mais duros golpes.
“Foi a melhor oferta que tivemos” – argumentou o então
presidente. “O jogador queria sair” – continuou. “ Os interesses futuros do
Sporting estão assegurados” – rematou.
Sim, um dos mais promissores jogadores formados pelo
Sporting nos últimos anos ia jogar no rival mas tinha uma cláusula de rescisão
cifrada em 40M de euros e o Sporting ficaria com direito a 25% da mais-valia
gerada acima do preço de venda do jogador. E ninguém tinha dúvidas que João
Moutinho valeria isso em algumas épocas.
O que muito duvidavam era que o Sporting chegasse a ver a
sua respectiva parte entrar nos cofres. E não é que esta esteve várias vezes
ameaçada!? Basta recordar que ainda em Dezembro, no último dia de
transferências, a anterior direcção quase deu uma machadada nesses 25%,
trocando-os pelo “grande” avançado brasileiro Kléber. Foi por muito pouco. Mas
também serviu de antevisão para a desgraça ao enviar um claro sinal ao Sporting
que o F.C. Porto não tinha intenções de honrar esse compromisso.
E assim foi. Ao fim de 3 épocas de azul, João Moutinho é
finalmente vendido. Todos lhe adivinhavam um colosso europeu, mas o destino foi
o “modesto” Mónaco, um novo-rico do panorama futebolístico europeu. E
adivinhem: também não foi pela cláusula! Nada disso. Jogando habilidosamente
com um combinado de jogadores, o F.C. Porto conseguiu a proeza de vender um dos
melhores médios da Europa por 25M de euros e uma promessa por um recorde de 45M
de euros (!!!). Recordo que Cristiano Ronaldo foi vendido por cerca de 17M e
Nani por uns fantásticos 25M. Ronaldo era titular no Sporting com 18 anos e
Nani com 19.
E como aconteceu isto!? É óbvio. O Mónaco tinha 70M para gastar
em dois jogadores do F.C. Porto. 40 milhões eram obviamente para pagar João
Moutinho e sejamos honestos, vale isso. Os restantes seriam para James
Rodriguez. E estava feito um negócio excelente em todas as vertentes. O preço
justo por Moutinho e um ganho astronómico com James. Todos ganhavam, inclusive
o Sporting, que tinha formado e projectado Moutinho e numa atitude de
autodestruição vendido para “satisfazer a vontade do jogador”, tentando ficar
com uma parte que lhe era completamente devida e justa.
Ao invés, num autêntico soco no estômago, o negócio termina
com a cláusula de James a ser batida (45M) e Moutinho a ser vendido em saldo
azul (25M), cabendo ao Sporting a “módica” quantia de 3.5M mais uns pozinhos
dos direitos de formação (ou, por outras palavras, o valor pago pelo passe de Bojinov). Um
valor que poderia ser de 7.25M + formação. Ora, é ÓBVIO que João Moutinho foi
vendido por 40M e James por 25M – não me interpretem mal, James é um excelente
jogador e certamente vale muito dinheiro, mas não neste negócio.
Aquilo que o F.C. Porto fez foi muito simples, vendendo os
jogadores “em pacote” alegou que os 45M foram para James e o resto para
Moutinho, efectivamente contornando o valor que teria que partilhar com o
Sporting. Mas que grande negócio “benéfico para ambos os clubes”! Onde andam
agora os que diziam que estes negócios são bons para os clubes envolvidos? Que
diziam que saem todos a ganhar? Vejamos, para este negócio ter ido avante
nestes termos houve concordância dos clubes (ambos, Mónaco e Porto), do empresário
e ainda do jogador! Mas que grande prova de gratidão para com o clube que o
formou e o deixou sair a saldo para um rival…
O F.C. Porto é uma grande equipa. Não pode haver dúvidas
quanto a isso. A sua gestão, ainda que por vezes algo duvidosa, transformou
efectivamente o clube numa super-potência nacional e europeia nos últimos 20
anos. Negar isso é o mesmo que negar que os rios correm para o mar. Mas também
é verdade que nem sempre a sua conduta tem pautado pela honestidade ou
“fair-play”. O desfecho deste negócio deve ser um resumo de tudo aquilo que
efectivamente o clube tem para oferecer ao seu rival Leonino e um aviso para
que jamais se voltem a fazer estes negócios. Algo, aliás, que o presidente
Bruno de Carvalho já deixou bem vincado que não voltaria a acontecer.
Num só movimento provou-se, inequivocamente, que estes
negócios não são bons para todas as partes, que rivais serão sempre rivais e
que a gratidão e honestidade não são, definitivamente, virtudes transversais a
todos os homens.
P.S.: Gostaria sinceramente que esses 3M fossem usados para
comprar Ghilas. E que este marcasse muitos golos, 4 dos quais na baliza do
nosso rival do Norte. Um por cada milhão a menos recebido.
P.P.S.: Pode ser alegado que o negócio faz sentido do ponto de vista económico. Não o nego, mas deste modo o F.C. Porto preferiu pagar mais a um terceiro (que possui 10% do passe de James) do que ao Sporting que formou o jogador. E calou todos aqueles que diziam que estes negócios eram bons para o futebol e benéficos para ambas as equipas.



bla bla bla whiskas saquetas....15M é um excelente negócio, parem de ser antis...com amigos destes quem precisa de inimigos???
Apesar de concordar, penso que é dinheiro que nos faz falta e até nos pode ajudar a reforçar a equipa.. nomeadamente na posição de avançado! Ghilas e Kozak, seriam os eleitos!
Concordo plenamente com esta opinião , mas uma vez enganados pelo Porto e claro , da muito mais jeito que os 45M sejam pelo james porque assim é tudo deles e nós recebemos menos!!!
espero bem que isto sirva de emenda e que de uma vez por todos se deixem destas trocas porque nós saímos sempre prejudicados...
E espero bem que desistam de contratar o Rolando , se é que o clube esta interessado ...
Caro Nuno, o que está aqui em causa não é o valor do negócio, mas sim a ética (a falta dela) que o envolveu. Quanto a 15M serem um bom negócio por um dos melhores médios do país dos últimos anos... bem, isso é a mesma lógica de "é melhor ganhar o ordenado mínimo que estar desempregado". Lembre-se que todos queremos o melhor para o Sporting.
E já agora, um "anti" não elogia a gestão desportiva do rival. Novamente, a única coisa que está em causa é a ética do negócio e claro, o erro que foi em avançar para este no início.
Vendessem voçês por 35 ou 45 Milhões e estava tudo resolvido...
Sempre fui contra a predominância do sr.Jorge Costa, presidente do Porto, com a complacência oportunista, de uns e bajuladora, de outros. O Sporting, depois dos autêntico "Barretes" que este negociante nos enfiou, devia estar
precavido contra gente desta. Já não é o caso do modo, simultaneamente, grosseiro e asqueroso, como ataca quem "se atreve" a fazer-lhe frente, como o insidioso das suas afirmações, em relação ao Sporting e seus dirigentes; Acho que, para gente desta, o melhor é...distância! Há muitos clubes prontos a negociar com o Sporting, as suas "pérolas"!
A venda do Moutinho englobado numa negociata à "pc", demonstra bem o
carácter e idoneidade do mesmo! Qualquer Ignorante vê que, esta "chico-espertice, de juntar no "pacote" dois jogadores, era "tapar o sol com a peneira"! Maneira de LIXAR o Sporting! A paga de "Judas"! Mau e ov«fensivo! Preferiu dar mais-10%- a um estranho, pelo James, do que compensar o Sporting, pelas rasteiras imundas que lhe pregou! ´São estes os dirigentes dos clubes portugueses...a BANIR!
Acho que já chegou-há muito...a
altura de colocar no devido lugar o Ancião presidente do FCP, cortando com QUALQUER tipo de negócio com aquele clube, dado que, até agora, o Sporting foi, SEMPRE lesado-vulgo, burlado!O Sporting não precisa de inimigos, porque, se precisasse...já sabia onde encontrá-los!Depois, para cúmulo da imbecilidade, ainda aquele ar insultuoso, asqueroso, impróprio para a hora de jantar, em que fala de "maçã podre"!
Acabo de ver a final da Taça dos Campeões; que lição, de TUDO, deviam tirar os que mandam neste pobre futebol!Talvez seja culpa da "troika"...
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